Matéria publicada no jornal laboratório Expressão da Universidade São Judas Tadeu em 2014
Ter
a fé preservada em uma época de colonização foi tarefa difícil para os
africanos escravizados
Por Débora Folego
O sincretismo
religioso foi estimulado no Brasil junto com a chegada dos portugueses e a
ânsia pela colonização. O catolicismo se tornou hegemônico e as outras
religiões, principalmente dos africanos escravizados, eram obrigadas a se
extinguir, o que não ocorreu. No dicionário a palavra ‘sincretismo’ é definida
como ‘fundir várias doutrinas em uma só’ e foi o que os umbandistas fizeram
para esconder e preservar sua fé.
O professor de ciências
da religião, Elias Brito Junior, diz que essa estratégia foi fundamental para a
sobrevivência da fé de um povo. Os rituais e crenças se adaptavam à religião
oficial, a fim de poder se expressar sem impedimentos. “As estruturas culturais
dos povos que formaram nosso país são fatores fundantes do sincretismo. Sua
análise nos possibilita compreender a sociedade contemporânea, uma vez que o
comportamento individual e social ainda tem como norte o fator religioso”,
afirma Junior.
A relação dos orixás
com os santos foi feita a partir da associação de valores e características de
cada um. A lista é extensa, alguns conhecidos são: Jesus para Oxalá, Nossa
Senhora dos Navegantes para Iemanjá, Nossa Senhora da Aparecida para Oxum. Um
dos mais marcantes para os brasileiros é São Jorge para Ogum, pelo aspecto
militar e guerreiro. “O sincretismo não tem aceitação geral dentro da matriz
afro-brasileira, algumas vertentes aceitam, já outras não”, ressalta o
presidente e sacerdote responsável pelo Instituto Cultural Sete Porteiras do
Brasil, Jorge Scritori.
A igreja católica no
seu estilo contemporâneo e popular tolera o sincretismo. Um exemplo bem
relevante é a lavagem da escadaria da Igreja de Nosso Senhor do Bonfim, na
Bahia, em que católicos e religiosos afro-brasileiros se reúnem para a
cerimônia, mas nem todos concordam com o sincretismo. “Precisamos ser ecumênicos
para assim contribuir com a sociedade, gerar cultura, bem-estar, ações
solidárias e, sobretudo, colaborar para o bem comum na certeza de que construímos
um mundo melhor”, esquiva o padre responsável pela Paróquia Santa Terezinha,
Javier Alvarez.
Foto tirada por Débora Folego
São Jorge é um dos símbolos do sincretismo religioso
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