quarta-feira, 10 de setembro de 2014

Sincretismo religioso faz parte da cultura brasileira, afirma professor



Matéria publicada no jornal laboratório Expressão da Universidade São Judas Tadeu em 2014

Ter a fé preservada em uma época de colonização foi tarefa difícil para os africanos escravizados

Por Débora Folego


      O sincretismo religioso foi estimulado no Brasil junto com a chegada dos portugueses e a ânsia pela colonização. O catolicismo se tornou hegemônico e as outras religiões, principalmente dos africanos escravizados, eram obrigadas a se extinguir, o que não ocorreu. No dicionário a palavra ‘sincretismo’ é definida como ‘fundir várias doutrinas em uma só’ e foi o que os umbandistas fizeram para esconder e preservar sua fé.
    O professor de ciências da religião, Elias Brito Junior, diz que essa estratégia foi fundamental para a sobrevivência da fé de um povo. Os rituais e crenças se adaptavam à religião oficial, a fim de poder se expressar sem impedimentos. “As estruturas culturais dos povos que formaram nosso país são fatores fundantes do sincretismo. Sua análise nos possibilita compreender a sociedade contemporânea, uma vez que o comportamento individual e social ainda tem como norte o fator religioso”, afirma Junior.
    A relação dos orixás com os santos foi feita a partir da associação de valores e características de cada um. A lista é extensa, alguns conhecidos são: Jesus para Oxalá, Nossa Senhora dos Navegantes para Iemanjá, Nossa Senhora da Aparecida para Oxum. Um dos mais marcantes para os brasileiros é São Jorge para Ogum, pelo aspecto militar e guerreiro. “O sincretismo não tem aceitação geral dentro da matriz afro-brasileira, algumas vertentes aceitam, já outras não”, ressalta o presidente e sacerdote responsável pelo Instituto Cultural Sete Porteiras do Brasil, Jorge Scritori.
    A igreja católica no seu estilo contemporâneo e popular tolera o sincretismo. Um exemplo bem relevante é a lavagem da escadaria da Igreja de Nosso Senhor do Bonfim, na Bahia, em que católicos e religiosos afro-brasileiros se reúnem para a cerimônia, mas nem todos concordam com o sincretismo. “Precisamos ser ecumênicos para assim contribuir com a sociedade, gerar cultura, bem-estar, ações solidárias e, sobretudo, colaborar para o bem comum na certeza de que construímos um mundo melhor”, esquiva o padre responsável pela Paróquia Santa Terezinha, Javier Alvarez.
Foto tirada por Débora Folego
São Jorge é um dos símbolos do sincretismo religioso

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